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[ Matérias Editadas em Março de 2004 ] O Romancista Gilberto Amado 20-05-2012 09:05:12 Gilfrancisco (*) Gilberto de Lima Azevedo Souza Ferreira Amado de Farias, nasceu a 7 de maio de 1887, Estância (SE), diplomata, jornalista, professor, político e escritor brasileiro, filho de Melchisedec de Sousa Amado Faria e Ana de Lima Azevedo Souza Ferreira Amado. Fez os estudos primários em Itaporanga, estudou Farmácia na Bahia e diplomou-se em Direito no Recife, em 1909. Desde os tempos acadêmicos se sentiu fortemente atraído pela imprensa, iniciando-se no jornalismo no Diário de Pernambuco em 1906; prosseguiu carreira no Rio de Janeiro (1910), nos jornais, A Imprensa e o País, A Época, Jornal do Comércio, dentre outros periódicos.
Grande parte desta colaboração foi reunida em livros, como A Chave de Salomão e outros escritos (1914), coleção de artigos, alguns dos quais de apreciação literária sobre Paulo Barreto, Eça de Queirós, Afrânio Peixoto, Félix Pacheco, Alcides Maia, e de diversas crônicas do Rio. Estrutura semelhante tem outras obras suas como Grão de Areia (1919), Aparência e Realidades (1922) e A Dança sobre o Abismo (1932), em que, ao lado de pequenos ensaios sobre autores estrangeiros (Anatole France, Dickens, dentre outros), encontram-se outros sobre a realidade brasileira.
Político foi eleito deputado federal em 1915 a 1930. Sua atuação logo se fez sentir, principalmente através de discursos que ficaram famosos, como o que pronunciou sobre "As Instituições Políticas e o Meio Social do Brasil" e senador por Sergipe nos últimos anos da República Velha.
No dia 19 de junho de 1915, no Rio de Janeiro, no final da cerimônia de inauguração da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras (criada por Olavo Bilac e sediada no prédio do Jornal do Comércio), dois conferencistas se desentenderam. Eram eles o deputado e escritor Gilberto Amado e o Poeta Aníbal Teófilo (1873-1915), autor do livro Rimas (1911). Gilberto sacou de um revólver e matou o poeta. Absolvido seria ele nos tribunais de justiça, mas jamais o foi no da opinião pública, enquanto durou a memória do acontecido.
Em 1934, em substituição a Clóvis Bevilaqua, é nomeado Consultor Jurídico do Ministério das Relações Exteriores, posteriormente passando à carreira diplomática, sendo embaixador em vários países, Chile; Finlândia; e Itália. Gilberto Amado a partir de 1946 foi nomeado delegado do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), até a sua morte, a 27 de agosto de 1969, no Rio de Janeiro.
Escritor fecundo, esteve sempre profundamente impregnado de espírito nacional, o qual se reflete em toda sua obra. A partir de 1954 começa Gilberto Amado a publicar suas memórias, das quais já saíram: História de Minha Infância (1954); Minha formação no Recife (1955); Mocidade no Rio e Primeira Viagem à Europa (1956); Presença na Política (1960). Inocentes e Culpados publicado pela Livraria José Olimpio Editora, em 1941 este livro, da maturidade do escritor, é um conjunto de histórias entrelaçadas, tendo como núcleo central o drama de Emílio Vilanova, nele tentou Gilberto Amado "repor o romance no seu quadro de representação não dirigida da vida".
Como se passa no Rio de Janeiro nos anos anteriores a 30, retrata a sociedade carioca dessa época, que o romancista tão bem conheceu. Por declarações do próprio autor, ficamos sabendo que o livro foi concebido em três volumes inteiros, o que a seu ver prejudicava a estrutura e proporções da obra, deixando-o com a cabeça e pés, mas sem bastante tronco. Os Interesses da Campanha, embora transfigurado pela arte do ficcionista, há dados, informações, motivos, conceitos, traços psicológicos que muito ajudarão o futuro historiador na reconstituição da vida brasileira de 1935 a 1938, quando o país, como se recorda, sofreu os abalos da intentona comunista que, de certa forma, abriu caminho a Getúlio Vargas para o golpe de 10 de novembro de 1937, e dos assaltos frustrados dos integralistas ao Palácio Guanabara, em maio de 1938.
Através da vida da família Casais, constituída do velho Antônio Casais, presidente da Companhia de Seguros "União e Vida", de Deolinda (Linda, como era conhecida), sua esposa , e dos filhos Rogério, Anita, Arnaldo e Geraldo, conta-nos o romance o que se passa no Brasil neste agitado período. Nesse romance estão refletidas dramas, problemas, sofrimentos, esperanças, frustrações que marcaram a vida brasileira na década de 30.
Gilberto Amado é um escritor dotado extraordinariamente do senso da língua e do sabor da palavra, tendo alcançado o equilíbrio ideal entre o velho, o novo, o universal e o local.
(*) Jornalista e professor universitário
Foto: Divulgação
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