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[ Matérias Editadas em Junho de 2008 ] Exposição multimídia traz história da capoeiragem à Caixa Cultural Salvador 27-06-2008 09:06:47 Da Redação: Fonte - Caixa Cultural Salvador A Caixa Cultural Salvador abrigará até 3 de agosto a mostra "Vem jogar mais eu, Camará: uma história da capoeira baiana 1940-1980" - um
mergulho no período de afirmação, construção e difusão da capoeiragem no Brasil e no exterior.
A exposição é uma realização da Mandinga, Organização Não-Governamental que há 15 anos vem desenvolvendo projetos sócio-educativos com crianças e jovens de Salvador, tendo como eixo
central a prática da capoeira enquanto instrumento de educação e cidadania.
Aberta à visitação pública a partir de sexta-feira, dia quatro, a mostra faz parte do conjunto de ações aprovadas para patrocínio da Caixa Cultural pelo edital 2007 de ocupação dos seus espaços. O tema "A Capoeira Baiana dos anos 1940-1980" será também objeto de uma palestra, no dia 5 de julho, às 16h, com Frede Abreu, Adriana Albert Dias e Christine Zonzon.
A abertura da mostra será na quinta-feira, dia 3 de julho, às 19h, contará com atrações como uma orquestra de berimbau, uma roda de capoeira infantil e um grupo de samba de roda.
A exposição divulga os resultados de uma pesquisa historiográfica - Painel de Documentação da Capoeira Baiana (1940-1980) - desenvolvida entre 2006 e 2007 pelo Instituto Jair Moura, o mais completo acervo sobre capoeira do mundo. Criado por Frede Abreu em 1976, o Instituto desde 2006, se tornou o núcleo de acervo e pesquisa da Mandinga.
O acervo agora exposto testemunha a riqueza deste período de transição de uma capoeira marginalizada para múltiplas formas de expressão e reconhecimento desta arte. A capoeira estava presente nos ringues, nas competições esportivas, nos palcos de apresentação folclórica, nas artes, nos estudos, sem deixar de compor o universo da cultura popular nas festas e nas ruas.
Além disso, o mundo da vadiação e da mandinga, geralmente tratado como parte do passado, continuava vivo nos bastidores da capoeira moderna e pode ser redescoberto nos labirintos da capoeiragem que a exposição oferece.
A exposição aborda a capoeira sem recorrer à simbologia mais comum - berimbaus, pandeiros e seus belos movimentos - incorporando as
próprias leis internas do jogo como linhas-mestras do projeto. O visitante é convidado a perceber a lógica ritualística da capoeira,
descobrir seus pequenos segredos, suas malandragens e a ter acesso ao processo que se esconde por trás da imagética final do espetáculo da roda.
Constituída predominantemente por recortes de jornais, revistas, manuscritos e fotografias de época, além de filmes, vinis, livros, objetos místico-religiosos, instrumentos musicais e depoimentos de velhos mestres, a mostra inclui filmes e documentários, que serão exibidos uma sala de projeção.
O conceito adotado na construção dos painéis assumiu a própria precariedade do material enquanto linguagem de design. Recorte de
recortes, montagens, sobreposições, retículas: as seqüências de fotos contam a história, enquanto manchetes ganham tratamento especial e se tornam também belas imagens.
Através de resumos, formulados numa linguagem simples que busca evitar a erudição comum na escrita acadêmica, as temáticas apresentadas são
sintetizadas e contextualizadas. Seqüências de fotos contam a história, enquanto manchetes ganham tratamento especial e se tornam também belas imagens. Grandes painéis brincam com a história, jogam com as informações e com a curiosidade do visitante de forma alegre e
verdadeira, características essenciais da capoeira.
Presente nas festas religiosas e populares, nas academias esportivas, nas lutas de ringue, nas artes plásticas, na música, no folclore, na
fotografia, na literatura, no teatro e na dança, a capoeira atraiu olhares e suscitou cada vez mais representações, cuja relevância é simultaneamente artística, científica e cultural. Tal é a sua importância, que está prestes a ser tombada como Patrimônio Imaterial
do Brasil.
A mostra está estruturada em torno de cinco eixos: a cultura popular, a "esportização", a presença nas artes, o folclore - e os personagens
e suas histórias de vida.
A cultura popular está retratada na presença da capoeira nas festas de largo da Bahia e suas relações com o samba de roda, o candomblé e o
maculelê, e especialmente com o universo das ruas.
A "esportização" é abordada a partir da organização da capoeira em academias esportivas e federações, as lutas nos ringues, nos campeonatos universitários e a sua expansão para o eixo Rio-São Paulo.
A presença nas artes é mostrada pelas manifestações inspiradas na capoeira: fotografias, gravuras, obras literárias e composições musicais. Os artistas homenageados são o desenhista Carybé, o fotógrafo Pierre Verger, os cineastas Alexandre Robatto e Jair Moura e o escritor Waldeloir Rego.
Já o folclore está retratado na expansão da capoeira na indústria do turismo cultural, a partir da formação dos primeiros grupos folclóricos e das apresentações de capoeira para turistas em Salvador, em todo o Brasil e no exterior.
Os personagens e suas histórias de vida aparecem em fotografias, matérias de jornal, objetos de uso pessoal, depoimentos, manuscritos e desenhos dos grandes mestres de capoeira: Bimba, Pastinha e Noronha.
Ficha Técnica
Equipe de curadoria
Adriana Albert Dias - coordenadora e curadora do projeto. Historiadora e escritora, Mestre em História Social pela UFBA. É uma das maiores
especialistas na história da capoeira Baiana, além de ser também capoeirista.
Christine Zonzon - coordenadora e curadora. Mestre em Literatura (Grenoble/França) e em Ciências Sociais (UFBA), desenvolveu várias
pesquisas sobre a capoeira baiana. Também pratica a capoeira angola.
Equipe de criação
Igor Souza - arquiteto (UFBA) e cenógrafo. Criou e realizou a ambientação do Carnaval de Salvador 2008, com temática sobre a
capoeira.
Rosa Ribeiro - arquiteta (UFBA). Trabalha há 10 anos como designer e atualmente é mestranda em urbanismo pela UFBA.
Tiago Pinto Ribeiro - designer. Faz parte do Studio Zito formado por designs e artistas e é integrante do GIA - Grupo de Intervenção
Ambiental. É também capoeirista.
Equipe de produção
Dóris Serrano: produtora executiva. Tem vasta experiência na área de cultura, em diversos segmentos (cinema, vídeo, teatro, música, dança,
circo e eventos integrados). Idealizadora e realizadora do Projeto Feira das Artes.
Silvana Hart - produtora executiva. Tem vasta experiência na área de cultura, em diversos segmentos (cinema, vídeo, teatro, música, dança,
circo e eventos integrados). Idealizadora e realizadora do Projeto Feira das Artes.
Serviço
O quê: Exposição " Vem jogar mais eu, Camará: uma história da capoeira baiana 1940-1980"
Abertura: quinta-feira, 3 de julho de 2008, às 19h, com apresentações de orquestra de berimbau, roda de capoeira e samba de roda.
Visitação: entre quatro de julho e 3 de agosto de 2008, de terça a domingo e das 9h às 18h, com entrada franca e visitas guiadas para
escolas, ONGs, instituições de apoio social e grupos em geral.
O quê: Palestra "A Capoeira Baiana entre os anos de 1940 e 1980"
Quando: 5 de julho de 2008, às 16h, com Frede Abreu, Adriana Albert Dias e Christine Zonzon
Onde: Caixa Cultural Salvador - Rua Carlos Gomes, 57 - Centro, Salvador - Telefones: (71) 3322-0228, 3322-0219.
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